quinta-feira, 26 de junho de 2014

Dom Jaime foi categórico: “É um pecado grave” a atitude de católicos que legislam a favor de leis contrárias à defesa da vida

- É um pecado grave, diz dom Jaime Vieira sobre políticos que se dizem católicos e apoiam leis contra a vida humana
Zenit conversou com dom Jaime Vieira, arcebispo de Natal (RN), sobre a revogação da lei Cavalo de Troia e ações para promoção da vida humana.

Brasília, 20 de Junho de 2014 (Zenit.org) Lilian da Paz

No começo do mês de junho, dom Jaime Vieira Rocha, arcebispo metropolitano da arquidiocese de Natal (RN) visitou o presidente da Câmara Federal e pré-candidato ao governo do estado, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN).

O encontro, realizado na residência do deputado, em Brasília, teve como tema central a revogação da lei 12.845/2013, conhecida como lei Cavalo de Tróia – que, com o intuito de atender vítimas de violência sexual, possibilita a prática do aborto de uma maneira mais generalizada no Brasil.

Em entrevista ao Zenit, dom Jaime disse que tomou a iniciativa após diálogo com lideranças da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, entre eles o cardeal Orani Tempesta. “Na conversa, o deputado se comprometeu em colocar em regime de urgência o projeto de lei 6033/2013, que revoga a lei Cavalo de Tróia”, explicou dom Jaime.

Este projeto de lei 6.033/2013 é de autoria do deputado federal carioca e cristão Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Na Câmara dos Deputados já tramita requerimento de urgência 10.413/2014 para a tramitação do projeto de Cunha.

Os bispos e a promoção da vida

Dom Jaime sublinhou a importância do episcopado brasileiro se movimentar para a revogação da lei Cavalo de Tróia. “Precisamos estar vigilantes para nos mobilizar em defesa da vida em todos os aspectos. Nem sempre é possível um acompanhamento mais próximo destas questões, é preciso o nosso aperfeiçoamento”.

De acordo com dom Jaime, outra ação que os bispos podem exercer é a busca por apoio das casas legislativas. “As políticas contra a vida se instalam sutilmente. Por isso precisamos estar atentos e conversar com nossos representantes. Ao mesmo tempo também é necessário dar visibilidade ao assunto, tendo espaço nos meios de comunicação e revelando o teor grave da situação”, sublinha.

O arcebispo ainda destacou que a defesa da vida é unilateral, não podendo estar fixada somente na questão do aborto: deve-se abranger a promoção da dignidade humana em todas as fases da vida.

Os leigos e a política

Perguntado, dentro do contexto da doutrina da Igreja, sobre a atitude de católicos que legislam a favor de leis contrárias à defesa da vida, dom Jaime foi categórico: “É um pecado grave”. E ainda alertou. “Vejo muitos candidatos que se dizem contrários ao aborto somente em épocas de eleições para a conquista de votos. Devemos olhar se um candidato realmente deseja a revalorização da vida humana ou está preso a outros interesses”.

O epíscopo também ressalta que o católico deve buscar espaços de representatividade e liderança. Por outro lado, também deve receber uma formação adequada para dar razões da própria fé e mover-se para a construção de uma sociedade mais justa e digna.

Ainda neste sentido, dom Jaime afirma que o Brasil vive um importante momento para a discussão da reforma política, um assunto complexo que exige um conhecimento aprofundado.

Diálogo com o mundo

Outro ponto levantado pelo arcebispo é a importância do diálogo entre a Igreja e o mundo para que seja estabelecida uma mudança de mentalidade social. Para isso dom Jaime lembra Bento XVI. “O Papa Emérito interpretou bem a nossa realidade: estamos vivendo uma mudança de época e não uma época de mudanças. Tudo está sendo revisado, inclusive o referencial ético”, explica.

Neste cenário, dom Jaime vê a formação e comunicação – as duas em vista da evangelização – como meios eficazes para a propagação e alicerce dos valores humanos. Assim, o arcebispo vê com esperanças o Sínodo sobre as Famílias, em outubro próximo. “Temos que ouvir o mundo, sermos escutados como Igreja e dialogarmos com todos. Não podemos exercer um autoritarismo, em que ditamos o que deve ser dito e feito, sem o diálogo e sem o testemunho”. 

Fonte: Zenit.org