quarta-feira, 13 de julho de 2016

COMENTARISTA: FIGURA CONTROVERSA



A cena é clássica, principalmente nas missas de domingo: Alguém pega um microfone, diz boa noite e começa a ler um texto de algum folheto ou livrinho, na maioria das vezes sem entender nada do que está lendo. E antes das leituras acontece cena parecida. Algumas vezes, responde sozinho/a o Salmo e as preces. Na apresentação das oferendas, diz: vamos apresentar no altar nossas ofertas e nossa vida. Na Comunhão, sai com essa: chegou o momento mais da celebração (como se a missa foi uma subida), quem tiver preparado entre na fila, que não tiver faça a comunhão espiritual. Após a comunhão, fala: Vamos ficar em silêncio e meditar sobre o que acabamos de receber. E por ai vai... É o tal ou a tal comentarista da celebração. Seria esse o papel desta personagem litúrgica? Não seria o caso até de se chamar animador da celebração? Afinal, qual é mesmo a função do(a) comentarista ou animador litúrgico?

Nos textos oficiais sobre liturgia da Igreja não é previsto outro animador além do padre o diácono. Mas, aos pouco, principalmente depois da reforma litúrgica, ele torna-se presente e importante nas celebrações, adquirindo inclusive uma função, principalmente na missa, qual seja: Criar um clima celebrativo e introduzir a comunidade no mistério celebrado. Ele/a deve fazer isso com palavras que brotem do coração e de fato toquem e chamem a atenção da assembléia. Por exemplo: que bom estarmos aqui... E mais, assim como o presidente da celebração, ele/a não deve chamar a atenção para si, mas apontar para Jesus Cristo celebrado. Ao longo de uma celebração haverá oportunidades para outras intervenções do/a comentarista.

Contudo, tanto no início quanto nas outras partes da celebração, evite-se ao máximo a leitura de comentários de folhetos; é importante também lembrar que fazer o comentário não significa fazer o resumo das leituras. Pois não é função do comentarista fazer sermões. Isso torna a celebração numa chatice.

Este personagem litúrgico presente em todas as comunidades, às vezes é muito controverso, devido principalmente aos exageros ou à falta de sentido litúrgico e até mesmo à falta de sentido de comunicação como muitos se comportam. Deste modo, o que era para ajudar, acaba atrapalhando.

Vejamos alguns dos principais erros e exageros que encontramos por aí e precisam ser corrigidos:

- Ocupar a mesa da palavra, para fazer o comentário. Deve ocupar uma estante simples no lado esquerdo do presbitério.
- Não preparar o que vai dizer.
- Passar por cima de todo mundo inclusivo do presidente.
- Chamar a atenção mais para si do que para o mistério celebrado.
- Dizer citações bíblicas ou então ficar dizendo: primeira leitura, segunda leitura, evangelho.
- Saudar a assembléia com aclamações devocionais do tipo Louvado seja nosso Jesus Cristo...
- Fazer longos comentários que mais parecem discursos ou sermões.
- Falar baixo ou alto demais.
- Ler biografias de quem quer que seja.
- Ler só os comentários dos folhetos ou livrinhos de liturgia, mesmo que seja uma pequena biografia de algum santo. Caso só tenha isto é melhor não lê-los, eles não acrescentarão nada na vida celebrativa da comunidade.
- Comentar tudo como se fosse um locutor de rádio.
- Responder a missa ou rezar o Pai-Nosso com o microfone.
- Na hora da comunhão, dizer que os que estiverem preparados entrem na fila, ou então para dizer que os que não estiverem preparados fazer a comunhão espiritual. (Comunhão espiritual? isto não existe em missa).
- Intrometer-se e fazer o que não é da sua função.
- Dizer: vamos ficar todos de pé para receber o presidente da celebração, Pe. Fulano de tal. É melhor dizer: Em pé, cantemos.

Então, como deve ser um bom comentarista? Em primeiro lugar é bom seguirmos o que já se torna realidade em muitas comunidades. Substituirmos o/a comentarista pelo/a Animador/a litúrgico, visto que, como dissemos acima, um das suas principais tarefas é animar a liturgia, acolher e sintonizar com a celebração.

Neste sentido, como deve agir? Vejamos alguns toques que são preciosos para uma boa atuação como animador/a litúrgico numa celebração de missa ou da Palavra nas comunidades:

- Preparar bem o que vai dizer: estar atento/a à liturgia do dia, ao fatos que acontecem ao redor da comunidade e mesmo na comunidade, etc.
- Produzir textos técnicos, objetivos e acolhedores
- Chegar meia hora antes
- Ocupar uma estante do lado esquerdo do altar, deixar o ambão do lado direito para os leitores.
- Estar sempre na estante na hora dos comentários para evitar quebrar o ritmo celebrativo.
- Fazer o comentário ou a Introdução de forma comunicativa e simpática. Lembrando que ele é o primeiro contanto oficial que a assembléia terá com a celebração.
- Submeter o que foi preparado a uma breve aprovação do pároco ou presidente da celebração.
- Saber ler é fundamental, assim como ter conhecimento panorâmico de tudo o que vai acontecer na celebração.

Daí, vemos as características essenciais de um/a bom (boa) comentarista ou animador/a litúrgico: Ser discreto/a, objetivo/a, sereno/a e acolhedor/a.

Nas celebrações que são rotineiras o comentarista não precisa ficar se intrometendo a toda hora nem mesmo nas celebrações mais solenes. Nestas recomenda-se apenas que se explique os ritos que não são costumeiros para a comunidade.

Uma outra função importante do comentarista é dar os avisos no final da missa. Porém é fundamental que o ele/a esteja por dentro da vida da comunidade paroquial para evitar falar coisas que não vão acontecer.

Para concluir, repetimos que o/a comentarista/animador/a tem uma função importante. Ele/a ajudar a revelar a presença de Deus na liturgia, por isso deveria ser tratado como um verdadeiro ministério litúrgico, evitando-se o amadorismo e o improviso. Mas é muito importante que ele/a seja formado/a e bem preparado/a para exercer seu papel. Caso contrário será um elemento estranho e destoante na celebração. Como todos, ele deve consciência de fazer bem feito tudo aquilo que lhe compete, mas somente isso.