terça-feira, 19 de março de 2013

LITURGIA DIÁRIA - 19/03/213



Dia: 19/03/2013
Primeira Leitura: 2º Samuel 7, 4-5.12-14.16

SÃO JOSÉ, ESPOSO DE MARIA E PADROEIRO DA IGREJA(branco, glória, creio, prefácio próprio - ofício da solenidade)



Leitura do Segundo Livro de Samuel.

Naqueles dias, 4a Palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos: 5a“Vai dizer ao meu servo Davi: ‘Assim fala o Senhor: 12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. 13Será ele que construirá uma casa para o meu nome, e eu firmarei para sempre o seu trono real.14aEu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. 16Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre’”. 

- Palavra do Senhor. 
- Graças a Deus.


Salmo (Salmos 88)

— Eis que a sua descendência durará eternamente.
— Eis que a sua descendência durará eternamente.

— Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! Porque dissestes: “O amor é garantido para sempre!” E a vossa lealdade é tão firme como os céus.
— “Eu firmei uma Aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!” 
— Ele, então, me invocará: “Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!” Guardarei eternamente para ele a minha graça e com ele firmarei minha Aliança indissolúvel.


Segunda leitura (Romanos 4,13.16-18.22)


Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 13não foi por causa da Lei, mas por causa da justiça que vem da fé que Deus prometeu o mundo como herança a Abraão ou à sua descendência.
16É em virtude da fé que alguém se torna herdeiro. Logo, a condição de herdeiro é uma graça, um dom gratuito, e a promessa de Deus continua valendo para toda a descendência de Abraão, tanto para a descendência que se apega à Lei, quanto para a
que se apoia somente na fé de Abra­ão, que é o pai de todos nós. 17Pois está escrito: “Eu fiz de ti pai de muitos povos”. Ele é pai diante de Deus, porque creu em Deus que vivifica os mortos e faz existir o que antes não existia. 18Contra toda a humana esperança, ele firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: “Assim será a tua prosperidade”. 22Esta sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.


Evangelho (Mateus 1,16.18-21.24a)

— O Senhor esteja conosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor! 

16Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo.18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo.20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 
21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 24aQuando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado. 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

Ou (escolhe-se um dos evangelhos)

Evangelho (Lc 2,41-51) 

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. 46Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas.48Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”.49Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. 51Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. 

- Palavra da Salvação. 
- Glória a vós, Senhor.

O Evangelho do Dia - 19/3/2013

Ano C - DIA 19/03

O justo José - Mt 1,16.18-21.24a ou Lc 2,41-51a

Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. Ora, a origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente. Mas, no que lhe veio esse pensamento, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: "José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado.



Leitura Orante


Oração Inicial


Preparo-me para a Leitura Orante, com todos que circulam pela rede, rezando:
Vinde, Espírito Santo enchei os corações de vossos fiéis
e acendei neles o fogo do vosso amor.
- Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado.
- E renovareis a face da terra.
Oração:
Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre de suas consolações. Por Cristo Nosso Senhor. Amém


1- Leitura (Verdade)


- O que a Palavra diz?
Leio com fé e atenção o texto do dia em Mt 1,16.18-21.24 ou Lc 2,41-51.
O texto diz que "José, com quem Maria ia casar, era um homem que sempre fazia o que era direito. Ele não queria difamar Maria e por isso resolveu desmanchar o contrato de casamento sem ninguém saber". Mas, Deus, em sonho, manifesta a ele o seu papel na vinda do Salvador.
José acolheu os desígnios de Deus.


2- Meditação (Caminho)


- O que a Palavra diz para mim?
José me ensina a estar sempre em sintonia com a vontade de Deus que se manifesta sob as mais diferentes formas. Percebo estas manifestações? E como as acolho? Os bispos, em Aparecida, lembraram ainda, o testemunho de São José: "Nossos povos nutrem um carinho e especial devoção por José, esposo de Maria, homem justo, fiel e generoso que sabe se perder para se achar no mistério do Filho. São José, o silencioso mestre, fascina, atrai e ensina, não com palavras mas com o resplandecente testemunho de suas virtudes e de sua firme simplicidade". (DAp 274). 


3- Oração (Vida)


- O que a Palavra me leva a dizer a Deus?
Sinto a necessidade de rezar para que nas famílias de hoje se cumpra o Projeto de Deus como
na casa de Nazaré. Rezo:

Oração a São José pelas famílias
São José,
protetor da família de Nazaré e de nossas famílias,
ensina-nos a nos relacionar, respeitar, falar, trabalhar e amar,
como ensinaste a Jesus no lar de Nazaré.
Peço-te especialmente por estas famílias: ..............
Abençoa a todas as pessoas destas famílias e
alcança-nos a graça de cumprir o Projeto de Deus,
como a Família de Nazaré. Amém.
Para cantar:
Cantiga por José
Padre Zezinho
1. Que foi que te encantou nesta donzela? Que foi que te encantou?
Que foi que te levou à casa dela? Que foi que te levou?
Andavas procurando a namorada ideal,
pedias ao Senhor que te ajudasse a encontrá-la. E de repente um dia
alguem te apresentou Maria. (bis)
2.Que foi que viste tu nos olhos dela? Que foi, meu bom José?
Que foi que até te fez sonhar com ela no céu de Nazaré?
3.Agora desposaste a tua eleita na paz do teu Senhor.
A vida se tornou bem mais perfeita com ela tem mais cor.


4- Contemplação (Vida e Missão)


- Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Procurarei ver tudo, hoje, com olhar de fé e disponibilidade a Deus.



Bênção


- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Patrícia Silva, fsp

segunda-feira, 18 de março de 2013

Conselho do Dia


Este é o conselho que a Imitação de Cristo nos dá para hoje:
Grande honra e glória é servir-vos e desprezar tudo por vosso amor. Porque copiosa graça alcançarão os que livremente se sujeitam ao vosso santíssimo serviço. Encontrarão suavíssima consolação do Espírito Santo os que por vós desprezam todos os deleites carnais. Conseguirão grande liberdade da alma os que por vosso nome entram na vereda estreita e se apartam de todos os cuidados mundanos.( Como, desprezando o mundo, é doce servir a Deus) 

Fonte: Imitação de Cristo

2ª-feira da 5ª Semana Quaresma



De agora em diante não peques mais.
João 8,1-11

Naquele tempo:
1 Jesus foi para o monte das Oliveiras.
2 De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele.
Sentando-se, começou a ensiná-los.
3 Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher
surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles,
4 disseram a Jesus: 'Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.
5 Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?'
6 Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar.
Mas Jesus, inclinando-se,começou a escrever com o dedo no chão.
7 Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse:
'Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.'
8 E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9 E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos;
e Jesus ficou sozinho,com a mulher que estava lá, no meio do povo.
10 Então Jesus se levantou e disse: 'Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?'
11 Ela respondeu: 'Ninguém, Senhor.'
Então Jesus lhe disse:
'Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.'

Opcional

João 8,12-20

Naquele tempo:12 Disse Jesus aos fariseus: 'Eu sou a luz do mundo.
Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.'13 Então os fariseus disseram:'O teu testemunho não vale, porque estás dando testemunho de ti mesmo.'14 Jesus respondeu: 'Ainda que eu dê testemunho de mim mesmo,
o meu testemunho é válido, porque sei de onde venho e para onde vou.Mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. 
15 Vós julgais segundo a carne, eu não julgo ninguém,  
16 e se eu julgo, o meu julgamento é verdadeiro,porque não estou só, mas comigo está o Pai, que me enviou.  
17 Na vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro.  
18 Ora, eu dou testemunho de mim mesmoe também o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim.'  
19 Perguntaram então: 'Onde está o teu Pai?'Jesus respondeu: 'Vós não conheceis nem a mim, nem o meu Pai.Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.'  
20 Jesus disse estas coisas, enquanto estava ensinando no Templo, perto da sala do tesouro. E ninguém o prendeu, porque a hora dele ainda não havia chegado.
 

Reflexão

No Evangelho de hoje, vamos meditar sobre o encontro de Jesus com a mulher que ia ser apedrejada. Pela sua pregação e pelo seu jeito de agir, Jesus incomodava as autoridades religiosas. Por isso, elas procuravam todos os meios possíveis para acusá-lo e eliminá-lo. Assim, levam até ele uma mulher, pega em flagrante de adultério. Sob a aparência de fidelidade à lei, usam a mulher para ter argumentos contra Jesus. Também hoje, sob a aparência de fidelidade às leis da igreja, muitas pessoas são marginalizadas: divorciados, aidéticos, prostitutas, mães solteiras, homossexuais, etc. Vejamos como Jesus reage:

João 8,1-2: Jesus e o povo. Depois da discussão sobre a origem do Messias, descrita no fim do capítulo 7 (Jo 7,37-52), “cada um tinha voltado para casa” (Jo 7,53). Jesus não tinha casa em Jerusalém. Por isso, foi para o Monte das Oliveiras. Lá havia um Horto, onde ele costumava passar a noite em oração (Jo 18,1). No dia seguinte, antes do nascer do sol, Jesus já estava novamente no templo. O povo também veio bem cedo para poder escutá-lo. Eles sentavam no chão ao redor de Jesus e ele os ensinava. O que será que Jesus ensinava? Deve ter sido muito bonito, pois o povo vinha antes do nascer do sol para poder escutá-lo!

João 8,3-6a: Os escribas armam uma cilada. De repente, chegam os escribas e os fariseus, trazendo consigo uma mulher pega em flagrante de adultério. Eles a colocam no meio da roda. Conforme a lei, esta mulher deveria ser apedrejada (Lv 20,10; Dt 22,22.24). Eles perguntam: "E qual é a sua opinião?" Era uma cilada. Se Jesus dissesse: "Apliquem a lei", eles diriam: “Ele não é tão bom como parece, porque mandou matar a pobre da mulher!” Se dissesse: "Não matem", diriam: "Ele não é tão bom como parece, porque nem sequer observa a lei!" Sob a aparência de fidelidade a Deus, eles manipulam a lei e usam a pessoa da mulher para poder acusar Jesus.

João 8,6b-8: Reação de Jesus: escreve no chão. Parecia um beco sem saída. Mas Jesus não se apavora nem fica nervoso. Pelo contrário. Calmamente, como quem é dono da situação, ele se inclina e começa a escrever no chão com o dedo. Quem fica nervoso, são os adversários. Eles insistem para que Jesus dê a sua opinião. Então, Jesus se levanta e diz: "Quem for sem pecado seja o primeiro a jogar pedra!" E inclinando-se tornou a escrever no chão. Jesus não discute a lei. Apenas muda o alvo do julgamento. Em vez de permitir que eles coloquem a luz da lei em cima da mulher para poder condená-la, pede que eles se examinem a si mesmos à luz do que a lei exige deles. A ação simbólica da escritura no chão esclarece tudo. A palavra da Lei de Deus tem consistência. Uma palavra escrita no chão não tem consistência. A chuva e o vento a apagam logo. O perdão de Deus apaga o pecado identificada e denunciado pela lei.

João 8,9-11: Jesus e a mulher. O gesto e a resposta de Jesus derrubaram os adversários. Os fariseus e os escribas se retiram envergonhados, um depois do outro, a começar pelos mais velhos. Aconteceu o contrário do que eles esperavam. A pessoa condenada pela lei não era a mulher, mas eles mesmos que pensavam ser fiéis à lei. No fim, Jesus ficou sozinho com a mulher no meio da roda. Jesus se levanta e olha para ela: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou!" Ela responde: "Ninguém, Senhor!" E Jesus: "Nem eu te condeno! Vai, e de agora em diante não peques mais!"

Jesus não permite que alguém use a lei de Deus para condenar o irmão ou a irmã, quando ele mesmo ou ela mesma é pecador ou pecadora. Este episódio, melhor do que qualquer outro ensinamento, revela que Jesus é a luz que faz aparecer a verdade. Ele faz aparecer o que existe de escondido dentro das pessoas, no mais íntimo de cada um de nós. À luz da sua palavra, os que pareciam os defensores da lei, se revelam cheios de pecado e eles mesmos o reconhecem, pois vão embora, a começar pelos mais velhos. E a mulher, considerada culpada e merecedora da pena de morte, está de pé diante de Jesus, absolvida, redimida e dignificada (cf. Jo 3,19-21).
 
 
Para um confronto pessoal
1) Procure colocar-se na pele da mulher: quais eram os sentimentos dela naquele momento?
2) Que passos nossa comunidade pode e deve dar para acolher os excluídos?
 
 
Reflexão de João 8,12-20:
 

EU SOU A LUZ DO MUNDO


Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará na treva, mas terá a luz da vida. Esta aqui a chave de todo esclarecimento das palavras e da missão de Jesus. Nesta expressão de São João que, mesmo desvinculada do seu contexto mais amplo (8,12-20), desempenha uma função essencial: faz pensar. Faz pensar, antes de tudo, nos adversários imediatos que, logo em seguida, tentam neutralizá-la, mas também põe na balança a nossa fé: Você sabe de onde veio e para onde vai? Você já encontrou sentido para a sua vida? Você faz diferença entre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo? Você tem em si a Luz de Jesus? O que você distingue nos acontecimentos da sua vida como sendo vindo da luz que é Cristo?
Jesus ao dizer Eu sou…, quer mostrar a todos nós a importância decisiva da sua pessoa para o mundo inteiro. É bom lembrar que o lugar onde Jesus pronuncia solenemente esta auto-afirmação é a sala do Tesouro do Templo (8,20). Lá, durante as Festas, eram acesos os grandes candelabros, cuja luz chegava a iluminar toda a cidade de Jerusalém.
Esse ambiente, densamente repleto de ressonâncias messiânicas, é o lugar em que Jesus se declara luz do mundo. O motivo da luz, de acordo com as profecias messiânicas, indica felicidade, libertação, alegria: “Levanta, resplandece porque a tua luz vem vindo, a glória de Javé brilha sobre ti” (Is 60,1).
Por trás da afirmação de Jesus, podemos ver os textos proféticos que se referem ao Servo de Deus constituído para ser a luz das nações (Is 49,6:) Pouca coisa é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e reconduzires os sobreviventes de Israel. Também te estabeleci como luz das nações, a fim de que a minha salvação chegue até as extremidades da terra; cfr. Is 42,6).
Esses textos que exprimem a missão do servo nos convidam a percorrer o caminho de um novo êxodo que liberta da treva e da opressão. Por isso eles ajudam a compreender que também a missão de Jesus não se reduz ao povo de Israel, mas está totalmente aberta para o mundo das nações.
Por esse motivo, Jesus convida a percorrer o mesmo caminho e acrescenta, logo em seguida, uma expressão não menos significativa do que a primeira: Quem me segue não andará na treva, mas terá a luz da vida. A dimensão universal da “luz” tem sua incidência concreta na experiência humana, também universal (a expressão quem me segue é singular, mas indica totalidade), revelando a necessidade de uma decisão pessoal.
Está em jogo o sentido da história: quem acolhe a luz encontra efetivamente o caminho da vida, e o caminho certo é aquele do “seguimento”. Vale lembrar que seja a “luz” seja a “treva” possuem dimensões universais (cfr 1,5) bem como muitos outros contrastes do evangelho de João (vida-morte, verdade-mentira, espírito-carne, etc.).
No entanto, esses contrastes não são fruto da fantasia, mas surgem da experiência humana, porque é lá que é preciso decidir se enveredar pelo caminho da luz, do projeto de Deus e da vida, ou se percorrer o caminho dos projetos humanos auto-referenciais. Não há outra escolha senão entre dois caminhos: auto-suficiência humana e gratuidade divina.
Para o evangelista, todo ser humano realiza suas escolhas dentro do horizonte da história humana, assim como Jesus se manifesta como “luz do mundo” em sua própria humanidade. De fato, é muito significativo observar que o símbolo da luz ocorre só nos primeiros 12 capítulos e é quase sempre aplicado a Jesus em sua realidade histórica.
Portanto, ainda hoje, numa história repleta de ambigüidades, a decisão do “seguimento” não só obtém a luz da vida, mas revela ao mesmo tempo uma formidável dose de otimismo: a luz e a treva continuam se opondo como outrora, mas a Luz, no fim das contas, acaba resplandecendo gratuitamente para todos. Isso faz pensar e muito!
Jesus é a Luz que veio ao mundo para nos tirar das trevas. A luz revela, clareia, mostra e esclarece. A treva é a ignorância, a confusão, a desesperança e o desamor. Com Jesus nós temos a Luz da vida e o entendimento para todos os fatos que nos acontecem enquanto aqui vivermos. A partir desta realidade nós então encontraremos sentido para o nosso viver. Se tivermos uma experiência com Jesus, nós também, como Ele, iremos perceber de onde viemos e para onde vamos. Encontraremos razão para a nossa existência, porque deixaremos de viver segundo a carne, mas guiados pelo Espírito Santo e o nosso testemunho também será válido.
O próprio Jesus é quem nos confidencia: Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Conhecer a Jesus é, portanto, a condição imprescindível para que possamos sair das trevas e ter a Luz da vida. Deus Pai é quem nos dá testemunho da Luz de Jesus, através das Suas obras em nós e por nosso intermédio. O Pai está onde Jesus se encontra e vice-versa, por isso, não precisamos perguntar onde encontrá-Los, mas entrar em comunhão com Eles, conduzidos pelo Seu Amor que é o Espírito Santo. Aí então, sairemos da ignorância, da confusão, da desesperança e do desamor para entrarmos no reino dos céus. Que Deus nos dê esta graça de vermos o caminho afim de lá chegarmos.
Espírito de luz, não me deixes caminhar nas trevas, e sim, na luz que dá vida – Jesus.


SANTO DO DIA - 18/03/2013

18/03
São Cirilo de Jerusalém
Com alegria neste dia lembramos a vida de santidade de um grande homem proclamado Doutor da Igreja. São Cirilo nasceu em Jerusalém em 315 no início do tempo de graça, em que a Igreja conquistou com a liberdade religiosa dada por Constantino. Ordenado sacerdote São Cirilo cuidou com carinho, zelo e amor da preparação de Catecúmenos para o Batismo, assim como se dedicou no magistério, ou seja, ensinamento da Sã Doutrina. Cirilo muito bem formado pronunciava as famosas Catequeses nas igrejas da ressurreição e do Santo Sepulcro em Jerusalém; tratava com simplicidade, mas com muita profundidade sobre o pecado, penitência, Batismos, Credo e outros pontos essenciais da nossa fé. Mesmo depois de ser eleito bispo e patriarca de Jerusalém continuou sempre ao lado da verdade e isto de modo pacífico, pois mesmo depois da heresia do arianismo ser condenada em 325 as perturbações continuaram. São Cirilo que morreu em 386 de tal maneira foi atacado pelos adversários da Verdade que num total de dezesseis anos ficou exilado, até voltar e assumir com eficácia a conversão de sua diocese. 

LITURGIA DIÁRIA - 18/03/2013




Dia: 18/03/2013
Primeira Leitura: Daniel 13, 1-9.15-17.19-30.33-62

V SEMANA DA QUARESMA*
(roxo, pref. da paixão I - ofício do dia)



Leitura da Profecia de Daniel.

Naqueles dias, 41ca assembleia condenou Susana à morte. 42Su­sana, porém, chorando, disse em voz alta: “Ó Deus eterno, que conheces as coisas escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! 43Tu sabes que é falso o testemunho que levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito! 
44O Senhor escutou sua voz. 45Enquanto a levavam para a execução, Deus suscitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. 46E ele clamou em alta voz: “Sou inocente do sangue desta mulher!”
47Todo povo então voltou-se para ele e perguntou: “Que palavra é esta, que acabas de dizer?” 48De pé, no meio deles, Daniel respondeu: “Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem conhecimento da causa verdadeira, condenais uma filha de Israel? 49Voltai a repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que levantaram contra ela!” 
50Todo o povo voltou apressadamente, e outros anciãos disseram ao jovem: “Senta-te no meio de nós e dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da velhice”. 51Falou então Daniel: “Mantende os dois separados, longe um do outro, e eu os julgarei”. 52Tendo sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: “Velho encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. 53Fazias julgamentos injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando o Senhor ordena: ‘Não farás morrer o inocente e o justo!’ 54Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que árvore os viste abraçados?” Ele respondeu: “À sombra de uma aroeira”.
55Daniel replicou: “Mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!” 56Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: “Raça de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão perverteu o teu coração. 57Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se submeteu a essa iniquidade. 58Agora, pois, dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?” Ele respondeu: “Debaixo de uma azinheira”. 59Daniel retrucou: “Também tu mentiste com perfeição, contra tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!”
60Toda a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus, que salva os que nele esperam. 61E voltaram-se contra os dois velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. 62E assim os mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente. 

- Palavra do Senhor. 
- Graças a Deus.


Salmo (Salmos 22)


— Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.
— Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.

— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo, com óleo vós ungis minha cabeça, e meu cálice transborda.
— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.


Evangelho (João 8,1-11)

— O Senhor esteja conosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los.3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”
6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

O Evangelho do Dia - 18/03/2013

Ano C - DIA 18/03

“Eu também não te condeno". - Jo 8,1-11

Jesus foi para o Monte das Oliveiras. De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo se reuniu ao redor dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério. Colocando-a no meio, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adultério. Moisés, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?” Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão, com o dedo. Como insistissem em perguntar, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra!” Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Ouvindo isso, foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio, em pé. Ele levantou-se e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!” Jesus, então, lhe disse: “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais”. 


Leitura Orante

Oração Inicial


Preparo-me para a Leitura Orante, rezando com todos os internautas:
Creio, meu Deus, que estou diante de Ti.
Que me vês e escutas as minhas orações.
Tu és tão grande e tão santo: eu te adoro.
Tu me deste tudo: eu te agradeço.
Foste tão ofendido por mim:
eu te peço perdão de todo o coração.
Tu és tão misericordioso: eu te peço todas as graças
que sabes serem necessárias para mim.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

1- Leitura (Verdade)


O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Jo 8,1-11, e observo pessoas, palavras, relações, lugares.
Jesus havia passado a noite em oração no Monte das Oliveiras. O fato aconteceu no pátio do Templo de Jerusalém, durante a festa da luz, quando se acendiam grandes candelabros junto ao Templo. Foi antes do nascer do sol que os doutores da Lei e fariseus queriam flagrar Jesus em alguma contradição para acusá-lo. A mulher, surpreendida em adultério, sem o seu cúmplice, foi trazida para ser apedrejada, conforme a Lei de Moisés. E, mesmo sabendo da Lei, perguntaram a Jesus, o que Ele pensava sobre isto. Ao escrever no chão, em silêncio, Jesus criou expectativa. E os fariseus insistem na pergunta. Foi quando Jesus lhes disse: “Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!” Aqueles que se julgavam juízes, naquele instante, passaram à condição de réus, ou seja, ao invés de olhar para fora, voltaram seu olhar para dentro de si mesmos. Jesus derruba, ali no pátio do Templo, o sistema que oprimia ao invés de salvar. E “todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos”. Para a mulher, Jesus tem a Palavra libertadora: “Eu também não condeno você. Vá e não peque mais”.
Ontem já rezamos este texto. Ele volta a ser proposto no dia de hoje. Aprofundemos. O fato acontece no Templo. Os letrados e fariseus apresentam ao "mestre" um caso concreto: a mulher flagrada em adultério. Ao invés de responder, Jesus escreve no chão. Depois responde e continua a escrever. O que escreve, o texto não diz. Talvez apenas rabiscos. Talvez tomando tempo para refletir. Na segunda vez, diz:"Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!” Jesus faz entender que há outro pecado mais grave: a infidelidade a Deus. Então, os doutores da Lei e fariseus entram em si e começam a se retirar, um a um, até o último. No final, ninguém condenou a mulher porque condenaram antes, a si mesmos, e, muitos, talvez, eram cúmplices do pecado que acusavam.

2- Meditação (Caminho)


O que o texto diz para mim, hoje? Com quais personagens me identifico? Com Jesus, a mulher ou com seus acusadores? Escolho para mim a atitude de Jesus que não julga e ajuda as pessoas a não julgarem. Em Aparecida, disseram os bispos: “Não podemos nos esquecer que a maior pobreza é a de não reconhecer a presença do mistério de Deus e de seu amor na vida do homem e seu amor, que é o único que verdadeiramente salva e liberta. Na verdade, “quem exclui a Deus de seu horizonte falsifica o conceito de realidade e, consequentemente, só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas. A verdade desta afirmação parece evidente diante do fracasso de todos os sistemas que colocam Deus entre parêntesis”. (DAp 405).


3- Oração (Vida)


O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, espontaneamente, com salmos ou posso cantar com Padre Zezinho,scj:
Alô meu Deus
Fazia tanto tempo que eu não mais te procurava.
Alô meu Deus.
Senti saudades tuas e acabei voltando aqui.
Andei por mil caminhos.
E como as andorinhas eu vim fazer meu ninho em tua casa e repousar.
Embora eu me afastasse e andasse desligado,
Meu coração cansado resolveu voltar!
Eu não me acostumei nas terras onde andei ( bis)
Alô meu Deus.
Fazia tanto tempo que eu não mais te procurava.
Alô meu Deus.
Senti saudades tuas e acabei voltando aqui.
Gastei minha herança comprando só matéria.
Restou-me a esperança de outra vez te encontrar.
Voltei arrependido, meu coração ferido,
E volto convencido que este é o meu lugar!
Eu não me acostumei nas terras onde andei (bis)
(CD Um certo Galileu 1 – Paulinas COMEP)

4- Contemplação (Vida e Missão)


Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Como vou vivê-lo na missão?
Meu novo olhar é de perdão para com os outros e para comigo também.

Bênção


- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Sugestões:
- Campanha da Fraternidade 2013 - Veja informações no blog:
http://comunicacatequese.blogspot.com.br/

- Veja a mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma em 
 http://paulinascomunica.blogspot.com/

- Faça o Retiro de Quaresma e Páscoa seguindo o blog
 http://viverecomunicarcristo.blogspot.com

Ir. Patrícia Silva, fsp

domingo, 17 de março de 2013

Conselho do Dia


Este é o conselho que a Imitação de Cristo nos dá para hoje:
Que haverá tão cauteloso e vigilante em todas as coisas, que alguma vez não caia em perturbação ou engano? Mas aquele que em vós, Senhor, confia, e vos procura de coração sincero, não cai tão facilmente. E se vier a cair em alguma tribulação, de qualquer sorte que esteja embaraçado nela, prontamente será por vós libertado ou consolado, porquanto não desamparais para sempre a quem em vós espera. Raro é o amigo fiel que persevera em todas as tribulações de seu amigo. Vós, Senhor, sois o único amigo fidelíssimo e não se acha outro igual. 1. Oh! bem o soube aquela alma santa (Santa Águeda) que disse: "Meu coração está firmado e fundado em Cristo!" Se 2. assim fora comigo, não me perturbaria tão facilmente o temor humano, nem me abalariam as flechas das más palavras. Quem pode prever tudo e precaver-se contra os males futuros? Se os males previstos já ferem tanto, quanto mais os imprevistos causarão feridas dolorosas! Mas por que motivo, sendo eu tão miserável, não me acautelei melhor? Por que tão facilmente dei créditos aos outros? Entretanto - somos homens e nada mais que homens fracos, ainda que muitos se julguem e chamem anjos. A quem hei de crer, Senhor? a quem senão a vós? Vós sois a verdade que não engana nem pode ser enganada. Ao passo que está escrito: "Todo homem é mentiroso (Sl 115,2), fraco, inconstante, inclinado a pecar, mormente em palavras, de sorte que mal se deve logo acreditar o que, à primeira vista, parece verdadeiro". ( Que se não deve dar crédito a todos, e quão facilmente faltamos nas palavras)

Fonte: Imitação de Cristo

5º Domingo Quaresma - Ano C



João 8,1-11

Naquele tempo:
1 Jesus foi para o monte das Oliveiras.
2 De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele.
Sentando-se, começou a ensiná-los.
3 Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher
surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles,
4 disseram a Jesus: 'Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.
5 Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?'
6 Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar.
Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão.
7 Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse:
'Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.'
8 E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9 E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos;
e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo.
10 Então Jesus se levantou e disse: 'Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?'
11Ela respondeu: 'Ninguém, Senhor.' Então Jesus lhe disse:
'Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.'

Reflexão
 





Deus não nos pune, não podemos fazer nada de errado para provocar um castigo de Deus, para que Ele nos mande um luto ou uma doença. Frequentemente, a origem da dor somos nós mesmos, a nossa fragilidade, as nossas escolhas erradas. Deus não é um pai-patrão e bom somente devido às nossas devoções e orações. Deus é um pai que nos espera, que nos respeita, que nos deixa fazer os percursos e as experiências da vida, esperando não nos perder. Deus é um pai bondoso que dá pão ao filho que lhe pede, que faz chover sobre justos e injustos. Isso é o que refletimos nos últimos domingos, mas se ainda não nos convenceram, escutemos a história real e não parábola da mulher adúltera.
 
No Evangelho deste domingo, nos deparamos com Jesus que, voltando do monte das Oliveiras, ensina no templo. O povo está em volta dele, escutando com atenção seus ensinamentos. Desta vez, os fariseus e os mestres da lei levam até ele uma mulher que foi pega flagrante adultério. A Jesus é posta verdadeiramente uma uma armadilha extraordinária. Uma mulher (não tem nome, os acusadores não a conhecem, é só uma meretriz) que foi pega no flagra. Quanto ao homem que estava com ela, cadê? Nem se fala obviamente, pois se ainda hoje o machismo é forte, naquele tempo era absoluto.
 
A mulher é levada perante um Rabi (Mestre) para que ele se pronuncie. Moisés havia prescrito na lei que mulheres como “aquela” deviam ser apedrejadas, de modo que ficasse claro (principalmente para as mulheres) que é melhor permanecerem fiéis. E aí? Jesus, o que devemos fazer? Qual será a reação de Jesus? É o Sinédrio que a condena à morte, quando a pena de morte é reservada aos romanos. Jesus se declarará contra o opressor? Ou reconhecerá o juízo ilegítimo do Sinédrio? Foi Moisés quem prescreveu: será que Jesus ousará contradizer uma lei divina?
 
Que cilada armaram contra Jesus! Que outra coisa Jesus poderá fazer a não ser concordar com seus adversários? O mal cometido deve ser eliminado! A mulher deve ser apedrejada. Os escribas conhecem bem a lei e pedem a Jesus para aplicá-la. É uma armadilha bem arquitetada: será Jesus legalista? Ou arriscará contradizer Moisés? Tudo é tramado em torno do que Jesus fará com relação aos pecadores, ao povão que estava em volta dele. Se deixar a mulher ser apedrejada, é sinal de que aprova a lei e o comportamento dos seus adversários contra os pecadores; e assim, seu comportamento de desprezo seria desmascarado diante de todo o povo. Mas, nesse caso, onde ficaria a imagem do Pai bondoso que sai ao encontro do filho perdido?
 
Se, pelo contrário, ele não aprovar o querer dos fariseus e acolher a pecadora, estará descumprindo uma lei que é claríssima e também nesse caso, diante do povo se mostraria como alguém que infringe a lei. Todos esperam para ver como Jesus se sairá desta, pois, a pergunta o obriga a tomar uma posição. Temos uma ligeira impressão de que ele parece não saber decidir. Mas com a maior calma do mundo, ele ganha tempo, riscando com o dedo na terra: são segundos eternos de impaciente silêncio. Ele parece não estar nem aí para seus opositores, não lhes dá nenhuma resposta. Estes se encontram muito seguros de si mesmos, enquanto a mulher deveria se encontrar num pavor terrível e o povo muito tenso. Aquele silêncio é o silêncio da espera porque está para surgir uma coisa nova, como nos afirma a primeira leitura: “não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que farei coisas novas e que já estão surgindo”.
 
Se como insistiam, eis que Jesus se levanta e com sua inteligência impressionante e movido pelo amor que sempre pregava, rompe o silêncio e a sua palavra é como uma espada que se finca com profundidade na consciência, golpeando todo tipo de hipocrisia: “Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Era como se perguntasse: como você pode condenar esta mulher enquanto você também é adúltero? Porque todo pecado é um adultério aos olhos de Deus. Os acusadores, aqueles presumidos, queriam negar à adúltera a possibilidade de uma mudança. Com a chuva de pedras que pretendiam realizar, queriam sepultar não só o pecado, mas também a pessoa, o seu passado e o seu futuro.
 
No fundo, Jesus não responde diretamente a pergunta deles. Chama a atenção para um fato importante por eles esquecido: sobre a verdadeira situação deles diante de Deus. Deu um tempo pra eles pensarem, voltando a desenhar com o dedo no chão. O mais interessante aparece aqui. Os fariseus, que nunca aceitam o que Jesus diz, dessa vez se tocam. Nenhum dos que estavam lá teve a coragem de apedrejar a mulher. Se deram conta que todos têm pecado e devem cuidar de superar os seus. Quando Jesus se levanta, percebe que todos foram embora. Só estão ele e a mulher. Também Jesus não condenou a mulher, mas exortou: “de agora em diante não peques mais”. Jesus a absolve, mas recorda-lhe sua nova tarefa.
 
A lei escrita na pedra com as próprias palavras de Deus, incisas a fogo e entregues a Moisés foi traída, servida, submissa a costumes e tradições só humanas e mesquinhas. Sim, esta mulher traiu o marido. Mas o povo de Israel traiu o espírito autêntico da lei. O Filho de Deus agora reescreve sobre a pedra a lei que os homens adaptaram para eles. Todos se calam, agora. É como se Jesus nos dissesse: você têm razão: fulano errou. Faz bem matá-lo, há que ser inflexível para salvar a lei. Você nunca errou, você é perfeito. Parabéns. Portanto, seja o primeiro a lançar a pedra.
 
Jesus faz de conta que fica perplexo. Oxe, onde estão eles? Ele, o único sem pecado, o único que poderia com razão jogar a pedra, não o faz. Pede somente à mulher que recupere a dignidade, de se amar mais. Jesus não justifica, nem condena, convida a elevar o olhar, a ir além, a olhar com o coração a fragilidade do outro e descobrir-se refletindo ela própria. Não, Deus não castiga. A sociedade quer condenar. Todos nos querem condenar, julgar, Deus não. Deus ama e basta. E essa mulher é liberta, salva do apedrejamento, salva agora da sua fragilidade. Não peques mais, admoesta Jesus.
 
A “vida nova” é o tema das três leituras deste domingo. Já o anunciava o profeta Isaías aos exilados da Babilônia prevendo o retorno a Pátria. Para Paulo, a vida nova é uma pessoa, Jesus Cristo, o único tesouro, diante de quem todo o resto é perda e lixo. É Ele a única meta a conquistar correndo com todo esforço. Paulo não sente tal empenho como um peso, mas como uma resposta de amor a Cristo que o conquistou.
 
O gesto bondoso e surpreendente de Jesus para com aquela mulher provoca uma mudança total da situação: antes de tudo, o silêncio desarmante de Jesus, depois aqueles sinais historicamente indecifráveis por terra, e enfim o desafio a lançar a primeira pedra, desmascaram toda a hipocrisia daqueles acusadores legalistas de coração de pedra. Ao final, a mulher e Jesus ficam sozinhos: “a miséria e a misericórdia”, como comenta Santo Agostinho. Jesus fala à mulher: ninguém tinha falado com ela, tinham-na trazido à força com acusações e empurrões. Jesus se dirige a ela não chamando-a com nomes que a desprezam, mas com respeito, reconhecendo a sua dignidade; chama-a de “mulher”. Como Ele costumava chamar sua mãe (Jo 2,4;19,26). Jesus distingue entre ela – a mulher frágil – e o seu erro, que ele porém não aprova: o adultério é e permanece um pecado (Mt 5,32), também no caso de um desejo desonesto (Mt 5,28). Jesus condena o pecado, mas nunca o pecador. Não fica parado no passado, mas reenvia para a vida, reabre o futuro. O núcleo do relato não é o pecado, mas o coração de Deus que ama e quer que nós vivamos. É esta a imagem de Deus – amor que Jesus quer passar: que a mulher experimente que Deus a ama assim como ela é. Deste modo, a mulher se sentindo respeitada, amada, protegida, está em grau de acolher o convite de Jesus de se esforçar para não mais pecar. Deus salva amando.
 
O trecho evangélico constitui uma intensa página de metodologia missionária para o anúncio, a conversão, a educação para a fé e para os valores da vida. O amor gera e regenera a pessoa, torna-a livre; Jesus educa ao amor vivido na liberdade e na gratuidade. Só nestas condições é que conseguiremos entender porque devemos deixar cair das mãos as pedras que queríamos lançar sobre os outros. Que possamos reconhecer a nossa hipocrisia e nos curarmos dela.
 
Ninguém é perfeito, mas lembremos sempre as palavras de Paulo: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus.
 
 
Reflexão 2:
 
 
De acordo com a maioria dos estudiosos, Jo 8,1-11 não pertence ao autor do quarto evangelho. Sua inserção interrompe a sequência, e a linguagem é mais a de Lucas do que a de João, tendo presente a série de termos empregados e que não são usados em todo o evangelho de João. Isso, contudo, não questiona o seu valor de Palavra de Deus.
 
NÃO VIM PARA JULGAR. Mesmo não tendo o vocabulário e o estilo de João, o trecho se encaixa bem no tema principal. Talvez tenha sido posto aí para ilus-trar o que Jesus dirá um pouco mais adiante contra os fariseus: “vocês julgam como homens, mas eu não julgo ninguém. Mesmo que eu julgue, o meu julgamento é válido, porque não estou sozinho, mas o Pai que me enviou está comigo” (8,15-16).
 
JULGAMENTO = ESTAR A FAVOR OU CONTRA JESUS. O tema do julgamento é muito importante em toda a literatura joanina, e aqui também. Uma coisa é certa: Jesus não julga ninguém, ou seja, não veio para condenar, mas para salvar (veja 3,16-18). Ele simplesmente provoca todas as pessoas a tomar partido: quem está com ele não se perde; que está contra ele se autocondena, pois se colocou contra a vida. A pessoa de Jesus suscita o discernimento, ou seja, faz-nos perceber se estamos a favor da luz (vida) ou contra a luz (morte). VINDO PARA QUE TODOS TENHAM VIDA (10,10), pôs a nu nossas raízes e nossas escolhas.
 
SENTADO NA CADEIRA DE JUIZ E NÃO JULGA! Um episódio do evangelho de João é clássico nesse sentido (19,13-15). Pilatos faz Jesus sentar-se na cadeira de juiz-presidente do tribunal. De réu, Jesus se torna juiz supremo.
1. Mas ele não diz nada, não profere sentença alguma, não condena. São os chefes dos sacerdotes que se desnudam diante de Jesus juiz, revelando de que lado estão. De fato, eles dizem que o rei deles é César.
2. O contato desse tema com o episódio da adúltera é evidente. Esse episódio recorda sem dúvida o capítulo 13 de Daniel, a história de Suzana. As personagens praticamente se identificam: os juízes que, não conseguindo possuir Suzana, a condenam, fazem pensar nos acusadores da adúltera; o jovem Daniel remete a Jesus. Há, contudo, nítida distinção entre Susana, que não pecou, e a adúltera.
 
DO MONTE DAS OLIVEIRAS PARA O TEMPLO. O ambiente do episódio é o Templo de Jerusalém. Jesus se movimenta entre o monte das Oliveiras e a esplanada do Templo.
1. O monte das Oliveiras é o lugar onde Jesus assume corajosamente o projeto de Deus, para levar as pessoas à vida. Esse projeto passa pela morte-ressurreição.
2. O Templo é o lugar da rejeição de Jesus por parte das lideranças judaicas; nele se concentrava o poder religioso opressor, incapaz de levar à vida quem tivesse pecado.
 
O NASCER DO SOL – DIA DA PLENA LIBERTAÇÃO. Antes do nascer do sol, Jesus encontra-se no templo, ensinando. Ele é o novo sol que, – com sua palavra e ação, – faz surgir o dia da plena libertação da humanidade.
 
 
ADÚLTERA A SER LAPIDADA. A cena da adúltera – surpreendida em flagrante – é característica das tramas que doutores da Lei e fariseus arquitetavam para apanhar Jesus em contradição (cf. Mc 10,2; 12,13-14), para terem motivo de acusação contra ele(v 6a).
1. Segundo a lei de Moisés (Dt 22,22; Lv 20,10), a mulher que fosse surpreendida em adultério devia ser lapidada, não só ela, mas também o homem que com ela adulterou.
2. Para os doutores da Lei e os fariseus, a sentença já está decretada. Eles, representantes do sistema opressor, se serviam do aparato legal para legislar em prejuízo dos outros. Eram juízes superiores à Lei, capazes de sentenciar a respeito da adúltera e do próprio Jesus.
 
A CHANCE DA VIDA = OPTAR POR JESUS. No evangelho de João, Jesus se apresenta como aquele que recebeu do Pai a autoridade de julgar (5,22), mas ele próprio não julga ninguém (cf. 8,15), ou seja, é aquele que dá a chance decisiva de vida: OPTAR POR ELE, que cumpre plenamente a vontade do Pai. Em vez de julgar (= condenar), Jesus provoca o julgamento: quem adere a ele escolhe a vida, quem o rejeita provoca a própria morte.
 
ESCREVER NO CHÃO = REDIGIR UMA ACUSAÇÃO ? A reação de Jesus diante da pergunta dos escribas e fariseus é estranha: “Jesus se abaixou e com o dedo começou a escrever no chão” (v.6).
1. Esse gesto é obscuro. Além de “escrever”, o verbo pode também significar “redigir uma acusação”.
2. Talvez seja esse o sentido ou, quem sabe, seja possível encontrar nesse gesto uma referência a Jeremias 17, 13: “os que se afastam de ti serão escritos na terra”, isto é, no Xeol, entre os mortos.
 
DE JUÍZES A RÉUS = ATIRE A PEDRA QUEM NÃO TIVER PECADO. Todavia, a resposta de Jesus diante da insistência dos acusadores é clara: “aquele de vocês que não tiver pecado, atire nela a primeira pedra” (v.7). Os que haviam montado o tribunal, – arrogando-se o direito de sentenciadores, – passam da condição de juízes à condição de réus.
 
O SISTEMA OPRESSOR INCAPAZ DE SALVAR . Assim Jesus implode, em pleno Templo, o sistema opressor incapaz de salvar. A ordem de retirada dos doutores da Lei e fariseus é patética: vão embora a partir dos mais velhos (v.9a). É o sistema opressor que se afasta para dar lugar à nova ordem instaurada por Jesus. A mulher permanecia lá, no meio (v.9b), mas o sistema que decretara sua morte não existe mais.
 
OFERECER SALVAÇÃO = CONDENAR O MAL SEM EXTERMINAR O PECADOR. Inicia, então, novo diálogo, o de Jesus com a mulher. Não é um diálogo inquisidor, mas uma oferta de salvação: “eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais” (v.11b). Jesus certamente não aprovou o pecado. Demonstrou, porém, que não se extirpa o mal eliminando quem o cometeu (cf. Dt 22,22: “deste modo extirparás o mal de Israel”), mas oferecendo ao pecador condições de vida nova e plena. De certa forma, a adúltera salvou também o adúltero.
 
 
Reflexão 3:
 
O Homem que mais defendeu as mulheres. (Augusto Cury)

As mulheres frequentemente foram silenciadas, controladas, diminuídas e tratadas como subumanas nas mais diversas sociedades humanas. Todavia, houve um homem que lutou sozinho contra o império do preconceito. Ele foi incompreendido, rejeitado, excluído, mas não desistiu dos seus idéias. Ninguém apostou tanto nas mulheres como ele. Fez das prostitutas rainhas, e das desprezadas, princesas. Muitos dizem que ele é o homem mais famoso da história, mas poucos sabem que foi ele quem mais defendeu as mulheres. Seu nome é Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres na arte de viver. Esse texto não fala de uma religião, mas da filosofia e da psicologia do homem mais complexo e ousado de que se teve noticia.

Nos tempos de Jesus os homens adúlteros não sofriam punição severa. Todavia, a mulher adultera era arrastada em praça pública, suas vestes rasgadas e, com os seios à mostra, eram apedrejadas sem piedade. Enquanto sangravam e agonizavam, pediam compaixão, mas ninguém as ouvia. A cena, inesquecível, ficava gravada na mente e perturbava a alma para sempre.

Certa vez, uma mulher foi pega em adultério. Arrancaram-na da cama e a arrastaram centenas de metros até o lugar em que Jesus se encontrava. A mulher gritava “Piedade! Compaixão!”, enquanto era arrastada; suas vestes iam sendo rasgadas e sua pele sangrava esfolando-se na terra.

Jesus estava dando uma aula tranqüila na frente do templo. Havia uma multidão ouvindo-o atentamente. Ele lhes ensinava que cada ser humano tem um inestimável valor, que a arte da tolerância é a força dos fortes, que a capacidade de perdoar está diretamente relacionada à maturidade das pessoas. Suas idéias revolucionavam o pensamento humano, por isso começou a ter muitos inimigos. Na época, os judeus constituíam um povo fascinante, mas havia um pequeno grupo de radicais que passou a odiar as idéias do Mestre. Quando trouxeram a mulher adultera até ele, a intenção era apedreja-lo juntamente com ela, usa-la como isca para destruí-lo.

Ao chegarem com a mulher diante dele, a multidão ficou perplexa. Destilando ódio, comentaram que ela fora pega em flagrante adultério. E perguntaram qual era a sentença dele. Se dissesse “Que seja apedrejada”, ele livraria a sua pele, mas destruiria seu projeto transcendental, seu discurso e principalmente seu amor pelo ser humano, em especial pelas mulheres. Se dissesse “Não a matem!”, ele e a mulher seriam imediatamente apedrejados, pois estariam indo contra a tradição daqueles radicais. Se os fariseus tivessem feito a mesma pergunta aos discípulos de Jesus, estes provavelmente teriam dito para mata-la. Assim se livrariam do risco de morrer.

Qual foi a primeira resposta do Mestre diante desse grave incidente? Se você pensou: “Quem não tem pecado atire a primeira pedra!” , errou, essa foi a segunda resposta. A primeira foi não da resposta, foi o silêncio. Só o silencio pode conter a sabedoria quando a vida está em risco. Nos primeiros 30 segundos de tensão cometemos os maiores erros de nossas vidas, ferimos quem mais amamos. Por isso, o silêncio é a oração dos sábios. Para o Mestre dos Mestres, aquela mulher, ainda que desconhecida, pobre, esfolada, rejeitada publicamente e adultera, era mais importante do que todo o ouro do mundo, tão valiosa como a mais pura das mulheres. Era uma jóia raríssima, que tinha sonhos, expectativas, lágrimas, golpes de ousadia, recuos, enfim, uma historia fascinante, tão importante como a de qualquer mulher. Valia a pena correr riscos para resgata-la.

Para o Mestre dos Mestres não havia um padrão para classificar as mulheres. Todas eram igualmente belas, não importando a anatomia do seu corpo, não importando nem mesmo se erravam muito ou pouco. Jesus precisava mudar a mente dos acusadores, mas nunca ninguém conseguiu mudar a mente de linchadores. O “eu” deles era vítima das janelas do ódios, não eram autores da sua história, queria ver sangue. O que fazer, então?

Ao optar pelo silêncio, Jesus optou por pensar antes de reagir. Ele escrevia na areia, porque escrevia no teatro da sua mente. Talvez dissesse para si mesmo: “Que homens são esses que não enxergam a riqueza dessa mulher? Por que querem que eu a julgue, se eu quero amá-la? Por que, em vez de olhar para os erros dela, não olham para seus próprios erros?”

O silêncio inquietante de Jesus deixou os acusadores perplexos, levando-os a diminuir a temperatura da raiva, da tensão, oxigenando a racionalidade deles. Num segundo momento, eles voltaram a perguntar o veredicto do Mestre. Então, finalmente, ele se levantou. Fitou os fariseus nos olhos, como se dissesse: “Matem a mulher! Todavia, antes de apedreja-la, mudem a base do julgamento, tenham a coragem de ser transparentes em enxergar as suas falhas, erros e contradições”. Esse era o sentido de suas palavras. “Quem não tem pecado atire a primeira pedra!”

Os fariseus receberam um choque de lucidez com as palavras de Jesus. Saíram do cárcere das janelas killer e começaram a abrir as janelas light. Deixaram de ser vítimas do instinto de agressividade e passaram a gerenciar suas reações. O homo sapiens prevaleceu sobre o homo bios, a racionalidade voltou. O resultado é que eles saíram de cena. Os mais velhos saíram primeiro porque tinham acumulado mais falhas ao longo da vida ou porque eram mais conscientes delas.

Jesus olhou para a mulher e fez uma delicada pergunta: “Mulher, onde estão seus acusadores?” O que ele quis dizer com essa pergunta e por que a fez? Em primeiro lugar, ele chamou a adultera de “mulher”, deu-lhe o status mais nobre, o de um ser humano. Ele não perguntou com quantos homens ela dormira. Para o Mestre dos Mestres, a pessoa que erra é mais importante do que seus próprios erros. Aquela mulher não era uma pecadora, mas um ser humano maravilhoso. Em segundo lugar, perguntou: “Onde estão os seus acusadores? Ninguém a acusou?” Ela respondeu: “Ninguém”. Ele reagiu: “Nem eu”. Talvez ele fosse a única pessoa que tivesse condições de julga-la, mas não o fez. O homem que mais defendeu as mulheres não a julgou, mas compreendeu, não a excluiu, mas a abraçou. As sociedades ocidentais são cristãs apenas no nome, pois desrespeitam os princípios fundamentais vividos por Jesus. Um deles é o respeito incondicional pelas mulheres!

O homem que mais defendeu as mulheres não parou por aí. Sua ultima frase indica o apogeu da sua humanidade, o patamar mais sublime da solidariedade. Ele disse para a mulher: “Vá e refaça seus caminhos”. Essa frase abala os alicerces da psiquiatria, da psicologia e da filosofia. Jesus tinha todos os motivos para dizer: “De hoje em diante, sua vida me pertence, você deve ser minha discípula”. Os políticos e autoridades usam seu poder para que as pessoas os aplaudam e gravitem em sua órbita. Mas Jesus, apesar do seu descomunal poder sobre a mulher, foi desprendido de qualquer interesse. “Vá e revise a sua historia, cuide-se. Mulher, você não me deve nada. Você é livre!”

Jesus a despediu, mas ela não foi embora. E por que? Porque o amou. E, por ama-lo, o seguiu para sempre, inclusive até os pés da cruz, quando ele agonizava. Talvez essa mulher tenha sido Maria Madalena. A base fundamental da liberdade é a capacidade de escolha, e a capacidade de escolha só é plena quando temos liberdade de escolher o que amamos. Todavia, estamos vivendo em uma sociedade em que não conseguimos sequer amar a nós mesmos. Estamos nos tornando mais um numero de cartão de crédito, mais um consumidor potencial. Isso é inaceitável.

(Texto adaptado do livro: A ditadura da Beleza e a revolução das mulheres.)
 

SANTO DO DIA - 17/03/2013

17/03
São Patrício
São Patrício que celebramos neste dia nasceu em 380 na Grã-Bretanha e com apenas dezesseis anos foi preso por piratas irlandeses e vendido como escravo. Patrício já era cristão por isso amigo de Jesus pôde carregar a dura cruz, até que depois de várias que conseguiu escapar e chegar na França. Foi na França que vocacionado ao sacerdócio, São Patrício, formou como padre missionário, chegando em missão até na Inglaterra. Agora impelido pelo Espírito São Patrício foi sagrado bispo e destinado para anunciar o Reino aos Irlandeses; tão bem salvou Almas com Cristo, que São Patrício conseguiu a conversão de todos os da Irlanda, isto do empregado ao Rei. O método que o Santo bispo , não passou pela política, nem sangue dos mártires, mas sim pela construção de tão numerosos mosteiros que a Irlanda ficou conhecida : "Ilha do Mosteiros". São Patrício fez em Deus , muitas obras, já que os mosteiros tendiam a irradiar fé e cultura; além de formar mais o povo desta forma e pela santidade.