quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Almas mortas em vida

Quantas almas mortas em vida, que já não vivem a santidade do Santo Sacrifício, que já nem mais o conhecem. Acostumadas à criatividade do dia e do momento, à reunião da comunidade; os fiéis se alimentam do vazio destas reuniões

Pe. Juan Manuel Rodríguez de la Rosa – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Queridos irmãos, muitas almas que vão à Santa Missa e recebem a comunhão com frequência, almas boas, com boas intenções, vivem sem ver a Deus, sem reconhecê-lo. Elas vão à Santa Missa, mas dela nada trazem espiritualmente; estão estancadas em sua vida interior.
É o vazio destas almas, é o vazio da própria Missa o que elas assistem, uma Missa desprovida de todo o sagrado, de todo o cerimonial, do tradicional, da própria realidade do Sacrifício. Com efeito, estas almas participam de uma reunião, de uma assembleia. A própria frieza da cerimônia e do oficiante contagia os fiéis, tornando tíbias as suas almas. Eles já não reconhecem Deus. Muitas almas querem que a reunião acabe logo, cansam-se quando há alguma demora mais do que o habitual; muitos só assistem se a coisa for bem rápida.
Se não há sacrifício a alma morre. Muitos recebem a Sagrada Comunhãoespiritualmente mortos, sem ter participado no Sacrifício; para eles é suficiente terem chegado a tempo para a Comunhão; terem permanecido ausentes durante a Missa ou participado de uma reunião de assembleia, de uma simples ceia.
Quanto dano isso causa aos fiéis, quanto dano para as suas almas, para a fé na presença real de Cristo na Eucaristia, a Sagrada Comunhão na mão, própria de uma ceia, de uma refeição. Não me toques — Noli me tangere — disse o Senhor a Maria Madalena depois da ressurreição; justo ela a que mais lhe tocara, que lhe beijara os pés, lavara-os com as suas lágrimas e os enxugara com os seus cabelos, antes de Sua Sagrada Paixão. Após o Calvário, apenas o sacerdote toca o Senhor, apenas suas mãos consagradas. A Sagrada Comunhão na mão, de pé, a ausência do Santo Sacrifício, termina secando a vida interior das almas, deixando-as mortas em vida.
A falsa participação dos fiéis na Santa Missa e o seu ativismo nela resultam na desvalorização do Sacrifício, na sua anulação, mera participação em uma assembleia que se reúne para qualquer coisa, menos para viver o Calvário.
Mas, conforme nos ensina a tradição, a verdadeira participação dos fiéis está na Santa Missa tradicional. É a participação da Santíssima Virgem ao pé da Cruz, de São João, de Maria Madalena. Eles participavam contemplando o Senhor enquanto o crucificavam. O Senhor abria seus olhos e contemplava sua Mãe Santíssima e o discípulo amado, e se sentia confortado, porque via-os participar de sua Paixão, de suas dores. Eles participavam conforme o momento requeria, fitando o Senhor e unindo-se a Ele em suas intenções.
Participar da Santa Missa é ajudar o Senhor, é unir-se às Suas intenções, é acompanhá-lo ao pé da Cruz, é sofrer com Ele, compartilhar a Sua dor. Isto é participar do Santo Sacrifício. Participar é estar no silêncio da Cruz, é recolher-se em oração diante do sublime momento da transubstanciação. Onde não esteja o silêncio respeitoso, está a errônea participação da agitação dos fiéis. Mas é assim porque participam de uma assembleia ou reunião, mas não do Sacrifício de Jesus Cristo.
Estamos imersos na maior crise da História da Igreja, por uma razão que nunca ocorreu anteriormente: a negação do Sacrifício do Calvário. Realmente não foi feita uma reforma litúrgica, mas uma verdadeira destruição da tradição. Pretendeu-se uma verdadeira abolição da Santa Missa tradicional, de tal maneira que não restou a menor lembrança dela. Enquanto nas paróquias se permite todos os tipos de aberração litúrgica, ao mesmo tempo há um absoluto desprezo para com a Santa Missa tradicional. Abre-se as portas para a ofensa, para o vulgar e o profano, para a criatividade, e as fecha para a reverência, para o sagrado e para a milenária tradição.
Quantas almas mortas em vida, que já não vivem a santidade do Santo Sacrifício, que já nem mais o conhecem. Acostumadas à criatividade do dia e do momento, à reunião da comunidade; os fiéis se alimentam do vazio destas reuniões. De nada se alimentam espiritualmente, em nada crescem interiormente, já nada distinguem. Mortas interiormente já não discernem o profano do sagrado, o sacrifício da ceia ou a reunião da assembleia.
Nosso Senhor chora lágrimas de sangue. Chora sangue. Mas poucos sabem disso porque o Senhor lhes oculta, porque eles já não querem o Seu Sacrifício. Apenas o Santo Sacrifício dá vida à alma, mantém a alma na firmeza de fé, na fortaleza para anunciá-la, na alegria da esperança e no desprendimento da caridade.
Ave Maria Puríssima.