quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Carta Apostólica Porta Fidei comentada

Do Sumo Pontífice Bento XVI
Com a qual se proclama o Ano da Fé



No dia do início do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, iniciamos a publicação do conteúdo da Carta Apostólica Porta Fidei ('Porta da Fé') em partes, seguidas de comentários e esclarecimentos nossos. Logo abaixo, os três primeiros parágrafos, e, a seguir, o nosso texto. Que seja, de algum modo, útil!


1. A PORTA DA FÉ (cf. At 14, 27), que introduz na vida de Comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela Graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Batismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o Nome de Pai, e se conclui com a passagem, através da morte, para a vida eterna, fruto da Ressurreição do Senhor Jesus, que, com o Dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria Glória os que crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22) (...).

2. Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do meu pontificado, eu disse: “A Igreja no seu conjunto, e os pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude”. Não poucas vezes, os cristãos sentem maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando-a como um pressuposto óbvio da vida diária. Ora, tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado nos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

3. Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua Fonte, donde jorra Água Viva (cf. Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da Vida, oferecidos como Sustento dos que são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De fato, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, o ensinamento de Jesus: “Trabalhai não pelo alimento que desaparece, mas pelo Alimento que perdura e dá a vida eterna” (Jo 6, 27). E a questão daqueles que O escutavam é a mesma que colocamos nós também hoje: “Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?” (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: “A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou” (Jo 6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação. (...) À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé.

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Estes são os três primeiros capítulos da Carta Porta Fidei. Publicaremos, nas próximas semanas, os parágrafos seguintes da Carta, sempre acompanhados de uma breve reflexão. Neste primeiro momento, achamos conveniente esclarecer algumas dúvidas iniciais. No texto a seguir, os trechos entre aspas são citações literais da própria Carta Apostólica.


O que é o Ano da Fé?

É um tempo propício para que todos os fiéis compreendam mais profundamente que o fundamento da fé cristã é “o encontro com um Acontecimento, com uma Pessoa, que dá à vida um novo sentido. É uma ocasião para renovar e redescobrir a fé, e também para experienciar essa fé, na sua integridade e em todo o seu esplendor. “...Nos nossos dias a fé é um dom que se deve redescobrir, cultivar e testemunhar”, para que o Senhor “conceda a cada um de nós viver a beleza e a alegria de sermos cristãos”. O Ano da Fé “é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo”.


Quando se inicia e quando termina o Ano da Fé?

Inicia-se em 11 de outubro de 2012, data do 50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II e 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de Novembro, é dia da Solenidade de Cristo Rei.


Por que é que o Papa convocou este Ano da Fé?

Por entender que a unidade dos cristãos precisa ser reafirmada em nossos tempos, “devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas”. O objetivo principal deste Ano da Fé é que cada cristão “possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”.


Por que meios chegaremos a esses objetivos, segundo o Papa?

O Santo Padre cita alguns caminhos principais, como intensificar a celebração da fé na Liturgia, especialmente na Eucaristia; dar testemunho da própria fé; redescobrir os conteúdos da própria fé, expostos principalmente no Catecismo da Igreja.


Onde será o Ano da Fé?

O alcance é universal. “Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, assim como também nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo”.

* Além da própria Carta Porta Fidei, você pode ler a Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé, que está disponível no website do Vaticano, disponível neste link. Se preferir, você pode usar o endereço abaixo:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20120106_nota-anno-fede_po.html.

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